• 25/05/2024

    Como as substâncias do enxaguante bucal agem para evitar problemas?

    Na hora de escolher o enxaguante bucal, procure um especialista que possa diagnosticar o produto certo para você.

    Imagine a cena: você vai no supermercado ou na farmácia e se depara com uma infinidade de tipos de enxaguantes bucais. E agora, qual você coloca no carrinho? Pode parecer uma escolha simples, mas não é. Marco Antonio Manfredini (CROSP 27268), secretário do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), explica quais são as substâncias usadas nos enxaguantes bucais, qual a função de cada uma delas e como escolher o enxaguatório correto. Mas sem esquecer: para isso, é preciso pedir ajuda de um profissional.

    Enxaguantes que previnem cáries, que auxiliam o clareamento, que evitam bactérias, que reduzem halitose… uma abundância de opções, mas não é você mesmo que faz a escolha. É preciso ir em um dentista que o auxilie, até para saber se há uma verdadeira necessidade do uso do produto. “De acordo com o problema que esse paciente pode vir a apresentar, o profissional vai indicar um tipo específico de enxaguante bucal, o mais adequado para o problema que enfrenta”, explica Manfredini, que em sua tese de mestrado, analisou o mercado de higiene bucal.

    Nos anos 2000, esse mercado era calculado em mais de 1 bilhão de dólares, ocupando o 4° lugar no ranking mundial, o que equivalia a 5,3% do mercado mundial. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), no período entre 1997 e 2001, os cremes dentais tiveram um aumento de consumo anual em 9,1%, os enxaguatórios bucais, de 7,6%, as escovas dentais, de 5,1% e o fio dental, de 2,0%. Ou seja, os enxaguantes se tornaram populares e passou a haver uma gama muito grande de produtos no mercado.

    Abaixo, confira quais são os ingredientes dos enxaguatórios e qual a função de cada um.

    Fluoreto –  O fluoreto (F-1) está presente na água, nos cremes dentais e nos enxaguantes. A função desse componente é combater cáries.

    Cloroxedina – A cloroxedina é um elemento anti-séptico, com ação antifúngica e bactericida, capaz de eliminar bactérias. Por isso, deve ser usada em casos de doenças gengivais ou como prevenção. Mas atenção: o tratamento deve ser feito com orientação do seu dentista, pois o componente pode manchar os dentes quando usado de forma inadequada.

    Triclosan – O triclosan é um ingrediente comum na indústria de higiene e cosmética. Ele tem a função de eliminar as bactérias e, por isso, combate a placa bacteriana da boca.

    Dióxido de cloro – O dióxido de cloro é usado na indústria de alimentos e também para purificar a água. Nos enxaguantes bucais, tem a função de controlar o mau hálito.

    Carbonato de cálcio – O carbonato de cálcio tem várias funções na indústria, desde a construção, sendo usado para fazer cimento, aço e vidro, até à vinicultura, onde corrige a acidez dos vinhos. O composto é usado nos cremes dentais como um abrasivo. Já nos enxaguatórios, atua como um agente de clareamento.

    Álcool – Álcool e enxaguante bucal é uma relação que já gerou muita polêmica, pois associavam o produto com câncer de boca. Entretanto, não há evidências do problema. Hoje são poucos enxaguatórios que contêm álcool, pois pode causar manchas em restaurações de resina e levar à descamação da mucosa bucal. Quando usado, tem a função de conservar o produto.

    Óleos essenciais – Nos enxaguantes bucais, são usados alguns óleos essenciais com ação anti-inflamatória e antimicrobiana.

    Manfredini salienta que o enxaguatório bucal não tem uma recomendação universal, ou seja, não são todas as pessoas que precisam fazer seu uso, ao contrário da escova de dente, creme e fio dental, que são produtos aconselhados para todos. “O uso dos enxaguantes não substitui a escovação e o fio dental. A pessoa deve fazer a remoção mecânica e usar o enxaguatório como elemento complementar da higienização bucal”, explica.